SS, Secret Story? Foi o mano padradas?
Ganhas ao Porto? Epah, belo traidor.
"Ir ou estar no Dragão, é o mesmo que ir ou estar na casa e no coração de todos e cada um de nós, pois todos somos o Dragão, símbolo do nosso clube e da nossa cidade."
Sem saber o que significa "SS", a única saída que tinha era investigar a dita casa de apostas. Passei pelos Registos da cidade e consultei um livro onde constam todas as moradas particulares, empresas, instituições, enfim, tudo. Enquanto retirava a morada pretendida, fui abordado pelo segurança que dizia ser ilegal o que eu estava a fazer sem o consultar, mas o bruta-montes não fazia ideia de que eu já tinha o que queria.
Desloquei-me à casa de apostas. O cenário era escuro, nem parecia uma casa legal. Vários indivíduos jogavam cartas e dominó, fumavam o seu charuto e bebiam whisky, enquanto nas televisões passava corridas de cavalos. No canto da sala, havia uma espécie de recepção onde estava um homem de meia-idade.
RECEPCIONISTA - A próxima corrida é só no Sábado, ainda não estamos a aceitar apostas. CHALMERS - Não vim cá para apostar. Encontrei este boletim e quero devolvê-lo. Pode, por favor, conferir o nome do apostador? RECEPCIONISTA - A confidencialidade dos nossos apostadores não pode ser posta em casa. Deixe o boletim que quem o perdeu certamente vai cá voltar. CHALMERS - Ainda assim, prefiro entregar-lho pessoalmente. RECEPCIONISTA - Deve ter problemas de audição. Já lhe disse que não, por isso é não. Deixe o boletim e saia.
A forma como o recepcionista me respondeu deixou-me enervado. Foi então que tive a melhor ideia possível. Eu ainda guardava comigo o meu crachá de detective. Porque não usá-lo?
CHALMERS - Ouça, você vai-me dizer o nome dele ou pode crer que na próxima hora terá aqui uma brigada de investigação em cima dos seus negócios.
Bingo. O recepcionista acobardou-se e foi buscar um livro onde constam os dados dos seus apostadores.
RECEPCIONISTA - Costumamos apontar as iniciais do primeiro e último nome, assim como a última aposta que fez cá. Deixe-me só conferir o boletim, por favor. Ora, "SS".. hm... cá esta, Stuart Sinclair. Vou anotar a morada no papel.
Entrei no carro e parti para a morada indicada. Quando lá cheguei, encontrei um prédio pequeno, composto por escritórios na sua maioria. Na entrada, a caixa de correio indicava o nome "Stuart Sinclair - Jornalista". Subi as escadas até ao andar certo e apercebi-me de alguma movimentação no interior do escritório. Stuart Sinclair apareceu de rompante, como se escondesse algo. Ia-me apresentar, mas foi de imediato interrompido.
SINCLAIR - Arthur Chalmers ? Mas que raio, como chegou até aqui? CHALMERS - Longa história. Tenho perguntas a fazer-lhe. SINCLAIR - Pois eu não estou interessado nas suas histórias nem nas suas perguntas! Tenho coisas para fazer, adeus!
Nisto, o jornalista vestiu o seu sobretudo, pegou no seu chapéu de chuva e saiu porta fora a toda a velocidade.
Eu pretendia saber o que se passou no interior do escritório para tamanha reacção, por isso fui obrigado a entrar ilegalmente, recorrendo a um pequeno ferro que me permitiu deslocar a fechadura e abrir a porta.
Notava-se alguma desarrumação no local de trabalho do jornalista: uma das cadeiras estava fora do sítio, gavetas das estantes abertas, alguns livros no chão e ainda papéis não totalmente queimados na lareira. Em cima da secretária, dois copos de whisky e um cigarro ainda não apagado sugeriam que alguém lá esteve com o jornalista aquando da minha chegada, mas que fugiu de alguma forma.
Com cuidado, retirei o papel da lareira. O essencial ainda era visível: "Encontramos-nos às 20h no Restaurante Central. Não falhes e não sejas seguido."
Novembro e Dezembro trouxeram uma ideia melhorada daquilo que pode ser a nossa época. As vitórias continuam, apesar de alguns desaires pontuais. Defrontamos equipas históricas no cenário futebolístico português como o Salgueiros e o Farense. Fomos derrotados pelo Salgueiros de uma forma um pouco parva, já que o futebol jogado em condições normais daria para um empate, pelo menos, mas a equipa do Porto foi mais forte no capítulo da eficácia. A vitória sobre o Louletano foi importante, já que nos permitiu distanciar do 2º classificado, depois de uma derrota no jogo anterior.
O Torreense é um espinho encravado na garganta. Na 1ª volta, no Seixal, perdemos por 0-1 com eles, agora em Torres Vedras fomos novamente derrotados. Os homens da casa começaram melhor e conseguiram adiantar-se no marcador, mas na segunda parte chegamos ao empate com justiça, diga-se. Depois da nossa expulsão, o Torreense assumiu o controlo do jogo e foi já nos últimos 5 minutos que conseguiu chegar à vitória. Uma coisa é certa, este ano não venceremos o Torreense.
O bom futebol continuou e a classificação reflecte isso. São agora seis os pontos que nos separam do segundo lugar e acredito que o podemos manter ou até aumentar.. Temos mostrado ser bem superiores à maioria das equipas e os resultados surgem com naturalidade, apesar de um equipa bem jovem. Tenho gostado do que vejo. Os próximos dois meses foi ser decisivos para o desenrolar da época.
"Ir ou estar no Dragão, é o mesmo que ir ou estar na casa e no coração de todos e cada um de nós, pois todos somos o Dragão, símbolo do nosso clube e da nossa cidade."