06-11-2013, 14:11
O verdadeiro motivo pelo qual Cavendish deixou a Sky
Café, síndrome de abandono, pouca diversão e quezília com Sean Yates foram os motivos que conduziram Mark Cavendish, o melhor sprinter da atualidade, a abandonar as fileiras da equipa britânica mais bem sucedida de todos os tempos.
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O ex-companheiro de equipa de Bradley Wiggins e Christopher Froome abriu o livro na sua autobiografia onde explicou que os primeiros indícios de incompatibilidade com a equipa surgiram na etapa inaugural da Volta a França de 2012.
Na imprensa a saída de Cavendish foi sempre vista como uma consequência previsível quando uma equipa tem dois objectivos incompatíveis na ementa numa mesma prova: vencer a camisola a amarela e vencer etapas ao sprint. Habituado a ter toda uma equipa a trabalhar para si e a não dividir protagonismo Cavendish viu-se subitamente integrado numa equipa construída em função de Wiggins e da conquista da Volta a França. O “míssil de Manx” sabia ao que ia e que seria impossível repetir as prestações de anos anteriores : “Entendi e nunca teria questionado que a camisola amarela deveria ser a nossa prioridade, mas ao mesmo tempo acreditava que a premissa da Sky era acreditar em algo melhor (…) que o objetivo era ter grandes ambições, perseguir sonhos quase impossíveis, desafiar a história e as certezas convencionais”, escreveu Cavendish
Rapidamente, porém, tornou-se evidente que o pragmatismo era a palavra de ordem e que os ciclistas eram incentivados a colocar os seus interesses pessoais acima dos da equipa.
O descontentamento de Cavendish ter-se-á enraizado com um incidente caricato que envolveu capsulas de café. O ciclista britânico explicou que ficou irritado quando os colegas, dia após dia, deixavam a capsula usada do café dentro da respetiva máquina ao invés de a esvaziar e deixar preparada para o “cliente” seguinte.
A falta de divertimento no sistema de David Brailsford, director desportivo da Sky, também foi outro factor que precipitou a saída de Cavendish que explicou que Wiggins, Froome e companhia estavam tão compenetrados na sua missão que não havia espaço para momentos lúdicos no seio da equipa.
Mas a gota de água aconteceu na sexta etapa do Tour, uma etapa onde era considerado grande favorito à vitória. Cavendish viu-se envolvido numa queda coletiva no pelotão a cerca de 26 quilómetros da meta. O sprinter da ilha de Mann conseguiu evitar o alcatrão mas furou a roda traseira. O pedido de auxílio pelo rádio não terá tido resposta e Cavendish só foi assistido alguns quilómetros depois: ”Durante algumas centenas de metros consegui manter-me no grupo da frente mas depois começou a descida e não consegui manter o ritmo sem ar na roda. Finalmente depois de não ter ouvido nada para além de silêncio no rádio, o Sean Yates chegou no primeiro carro de apoio. Esperou até que o mecânico trocasse a minha roda e depois arrancou de imediato sem tão pouco um empurrão”
Se a animosidade entre Sean Yates e Mark Cavendish já não eram segredo para ninguém naquele momento o rumo a tomar cristalizou-se na mente do sprinter britânico: “Nunca me tinha sentido tão abandonado depois de um problema mecânico como naquele dia, nem mesmo como um jovem profissional de 22 anos numa corrida modesta Estava na Volta a França, numa etapa onde era cotado como favorito à vitória e era campão do mundo. Fiquei de coração partido. Estávamos a 6 de Julho. Foi nesse dia que percebi que aquele seria o minha primeira e ultima Volta a França com a Team Sky. Foi também o último dia em que tive uma conversa com o Sean Yates"
Mark Cavendish conquistou 3 etapas na Volta a França 2012, nesse ano venceu ainda outras 16 vitórias ao serviço da Sky antes de assinar contracto com a Omega Pharma-Quickstep a 18 de Outubro para a época 2013.
"Azul, branca, indomável, imortal, como não pôr no Porto uma esperança se "daqui houve nome Portugal"?"
