08-09-2015, 10:09
Meus caros, acho que aqui ninguém está indiferente à temática que nas últimas semanas tem sido falada na comunicação social e nas redes sociais. Agora é a vez de nós, aqui no FMPT, dar-mos a nossa opinião sobre isto.
Refugiados: bem-vindos à Europa? Devem ser deportados? Será que daqui a 30 anos a Europa vai estar "islamizada"? Não falo obviamente de pessoal ligado ao ISIS que possa vir com esses refugiados que acho que os guardas fronteiriços têm isso em consideração mas como será daqui para a frente? A Europa pode perder a sua identidade culturalmente?
Aqui fica uma opinião ao qual me vejo:
Refugiados: bem-vindos à Europa? Devem ser deportados? Será que daqui a 30 anos a Europa vai estar "islamizada"? Não falo obviamente de pessoal ligado ao ISIS que possa vir com esses refugiados que acho que os guardas fronteiriços têm isso em consideração mas como será daqui para a frente? A Europa pode perder a sua identidade culturalmente?
Aqui fica uma opinião ao qual me vejo:
O Insurgente Escreveu:O Dilema dos Refugiados
Posted on Setembro 4, 2015 by Ricardo Lima
As pessoas são costumam ser muito racionais. As pessoas são sentimentais. Pensam com o coração, sentem com o coração e o cérebro faz mais vezes greve que os maquinistas da CP.
Eu recordo-me perfeitamente do Kony 2012. Um vídeo chocante, umas quantas fotos e do nada vi gente que poderia jurar a pés juntos que o Nelson Mandela era o Presidente de Timor e a única causa política pela qual desperdiçou mais de três letras foi a legalização da canábis desfazer-se em posts de facebooks, conversas de café, apelos desesperados. Fui, na altura, aqui no Insurgente, das primeiras pessoas em Portugal a desmascarar a farsa do movimento Kony, semanas antes da comunicação social e as redes sociais o começarem a fazer. Estávamos a falar de um conflicto em que Kony era apenas um dos senhores da guerra envolvidos e em que os organizadores da campanha era parceiros de um dos seus adversários. Acho que isto diz tudo. Porquê ? Porque quando as pessoas vêm uma imagem chocante, um vídeo que impressiona, uma mensagem que fica, o cérebro desliga e o raciocínio vai de férias, dispensando-se a reflexão e a pesquisa necessárias a tomar uma posição E dão-se à causa, sem se aperceberam que estão a ser usadas como peões. A crise humanitária que vivemos não é linear, está longe de ser simples. E lançar-se de braços abertos a uma causa sem conhecimento da mesma numa altura em que esse conhecimento está à distância de um clique é uma imbecilidade. Esta questão não é simples porque de facto a Europa tem culpas no cartório. No entanto acho curioso ver gente que acha que os cidadãos não devem estar a pagar as dívidas derivadas das políticas económicas desastrosas dos seus governantes a clamarem para que se paguem as dívidas das políticas militares desastrosas dos mesmos.
A Questão Geopolítica
A guerra do Iraque e as sucessivas intervenções directas e indirectas no Médio Oriente e no Norte de África – incluindo os bombardeamentos na Líbia e o financiamento dos rebeldes sírios – arrasaram por completo o equilíbrio de poder na região. Eu próprio, muito crítico dessa doutrina, sempre imaginei que a NATO estava a criar um vácuo a ser preenchido pelo Irão, seu principal adversário na área, nunca tendo imaginado que o cenário seria bem pior. Ditadores seculares que mantinham a ordem foram substituídos por fanáticos religiosos, muitos destes eleitos por multidões pouco esclarecidas que nunca haviam votado. Velhos ódios tribais, raciais e religiosos, outrora suprimidos por punhos firmes vieram ao de cima. Acordamos diariamente com notícias de cristãos massacrados e igrejas queimadas e só não ouvimos falar do pesadelo que os kurdos vêm sofrendo porque a comunicação social tende a ficar muda nesse assunto, não vende tantos jornais. Desertores do exercito, polícia e serviços secretos juntaram-se a organizações terroristas existentes ou formaram novas. E das ruínas da antiga ordem surgiu o ISIS, que ao contrário de ameaças como a Al Qaeda se tem estabelecido como um Estado. A Europa, sob a égide da NATO, despoletou grande parte do desequilíbrio que agora levas estes refugiados a fugirem dos seus países. A intervenção dos assuntos de outros países, militar ou não, nunca dá bom resultado a longo prazo, nem para a vítima nem para o agressor.
A Questão do Islão
A Europa tem um problema grave com a assimilação de uma parte da comunidade muçulmana. Repare o leitor que eu não disse que a Europa tem um problema com o Islão, longe disso. Milhões de muçulmanos vivem na EU em paz e harmonia, muitos ocupam os mais altos cargos, tanto no sector privado como público e praticam a sua religião de forma livre, como qualquer cristão. O problema parte da guetificação de comunidades que se recusam a assimilar e mantêm regras que não são compatíveis com os valores pregados no velho continente, à semelhança do que também acontece com alguns elementos da comunidade cigana, por exemplo em Portugal. A acrescentar a esse ponto, caminhamos para tentativas de politizar essa ala mais radical do Islão, perpetuando na Europa verdadeiros atentados às liberdades individuais e extremando posições entre uma classe política fraca que se apressa a subjugar aos interesses dos extremistas e outra que ameaça roçar um racismo e uma xenofobia dos quais, felizmente, muitos de nós já não têm memória viva. Foi precisamente este receio que impediu uma Turquia que se vem progressivamente islamizando – contra a vontade de muitos os seus habitantes nos grandes centros urbanos – de ingressar na União Europeia. E é este medo, associado ao desenvolvimento de redes terroristas dentro e fora da Europa, que requer precaução e ponderação ao lidar com o fluxo de refugiados que hoje preenche as manchetes dos jornais. A questão da segurança é uma extensão das preocupações apontadas relativamente à questão da assimilação, a juntar à crescente influência internacional do ISIS, conseguindo agregar cada vez mais movimentos para a sua causa. O medo de ver a insegurança que hoje assola a França estendida a Itália ou à Península Ibérica não é infundado.
Os Países Islámicos
A Turquia, o Irão e a Arábia Saudita são as potências regionais do Médio Oriente. Não incluo o Egipto nem no Médio Oriente nem no Norte de África dada a sua precária situação no pós-Mubarak. No entanto poucos se questionam do porquê de não serem esses países, vizinhos e irmãos de fé, a receberem a enorme vaga migratória de refugiados. Não é de espantar. Quando os países árabes tiveram em seu poder a Faixa de Gaza e a Cisjordânia e enfrentaram uma vaga de refugiados palestinianos não os vimos a utilizar os seus recursos para construírem um Estado da Palestina, por um lado ou a receberem os palestinianos nos seus países, por outro. O que eles fizeram nesses territórios foi construir enormes campos de refugiados que mais se assemelhavam a campos de concentração. A solidariedade, aparentemente, é um dever exclusivo dos europeus, apesar dos Sauditas serem Midas do ouro negro.
A Livre de Circulação de Pessoas
Por regra sou a favor de fronteiras abertas. No entanto, como Friedman alertava, as fronteiras abertas não são compatíveis com um Estado Social, como os casos do Reino Unido e da França têm demonstrado, isto a acrescentar aos outros factores, como a segurança ou a assimilação. E a recepção destes refugiados não pode ser feita sem devidamente acautelar estes pontos. Além de quotas que possibilitem um controlo e um planeamento maiores no acolhimento desta vaga, deve ser feito um sério debate que inclua a sociedade civil no que toca a como encarar possíveis problemas futuros semelhantes aos que assistimos os nossos congéneres europeus enfrentar. Poucas vezes na história como hoje, o futuro da Europa esteve assim em jogo. E a sentimentalização deste debate certamente não ajudará, nem à resolução dos problemas do continente, nem à resolução das efemérides dos refugiados.
"Azul, branca, indomável, imortal, como não pôr no Porto uma esperança se "daqui houve nome Portugal"?"

![[Imagem: 141031165031_immigrant_boat_mediterranea...51_afp.jpg]](http://ichef.bbci.co.uk/news/ws/660/amz/worldservice/live/assets/images/2014/10/31/141031165031_immigrant_boat_mediterranean_624x351_afp.jpg)